- Que quer dizer?
- Quero dizer que, em Loewestein, este homem, que diz chamar-se Isaac Boxtel se apresentou com o nome de Jacob.
- Que diz a isto, senhor Boxtel?
- Digo que esta rapariga mente, monsenhor.
- Nega ter estado em Loewestein?
Boxtel hesitou; com o olhar fixo e imperiosamente perscrutador, o príncipe impedia-o de mentir.
- Não posso negar ter estado em Loewestein, monsenhor, mas nego ter roubado a túlipa.
- Roubou-ma, e do meu quarto! - exclamou Rosa, indignada.
- Nego.
- Ouça: nega ter-me seguido no jardim, no dia em que preparava o alegrete onde deveria enterrá-la? Nega ter-me seguido no jardim onde fingi plantá-la? Nega ter-se precipitado, depois da minha saída, para o sítio onde esperava encontrar o bobilho? Nega ter revolvido a terra com as mãos, mas inutilmente, graças a Deus, pois não era senão uma manha da minha parte para reconhecer as suas intenções? Diga, nega tudo isto?
Boxtel não julgou a propósito responder a estas diversas interrogações. Mas, deixando a polémica encetada com Rosa e voltando-se para o príncipe, disse:
- Há vinte anos, monsenhor, que cultivo túlipas em Dordrecht, adquiri mesmo nessa arte uma certa reputação: uma das minhas híbridas tem no catálogo um nome ilustre. Dediquei-a ao rei de Portugal. Agora, eis a verdade. Esta rapariga sabia que eu encontraria a túlipa negra, e de combinação com um certo namorado que ela tem na fortaleza de Loewestein, concebeu o projecto de me arruinar, apropriando-se do prémio de cem mil florins que hei-de ganhar, graças à justiça de Vossa Alteza.
- Oh! - exclamou Rosa, a transbordar de cólera.
- Silêncio - ordenou o príncipe.
Depois, voltando-se para Boxtel, perguntou:
- E quem é esse preso que disse ser o namorado desta rapariga?
Rosa ia perdendo os sentidos, pois o preso era recomendado pelo príncipe como um grande criminoso.
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